SÃO LUÍS CIDADÃ - Protetores se unem para reduzir abandono de animais em São Luís
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SÃO LUÍS CIDADÃ - Protetores se unem para reduzir abandono de animais em São Luís


Quando Lêda Lima chega, Julieta fica alegre e corre para receber os carinhos da cuidadora (Foto: Flora Dolores

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Não há estimativas de quantos animais vivem nas ruas da capital, mas isso não impede que pessoas se sensibilizem com a situação de cães e gatos e fazem ações para conseguir alimento

Basta caminhar pelas ruas de São Luís para perceber um dos problemas da cidade: os animais abandonados. Não há estimativas de quantos são, mas sabe-se que são muitos. Nas ruas, cães, gatos e outros animais, como equinos, perambulam em busca de abrigo do sol e chuva, de comida e de um lugar seguro para dormirem. E se não bastassem as dificuldades de sobreviver por conta própria, ainda há os casos de maus-tratos. Para esses animais, o abandono e as agressões são uma realidade constante.

Mas diversas pessoas na capital têm lutado para mudar essa realidade e graças a elas, a chamada causa animal tem ganhado cada vez mais destaque.
A história de todo protetor de animais tem um ponto em comum: a paixão deles pelos bichos vêm desde a infância. Mas só na vida adulta, com a independência, é que eles podem assumir esse sentimento e começar a trabalhar em prol dos amigos de quatro patas. Foi o que aconteceu com Lêda Lima, que há seis anos cuida de Julieta, uma cadelinha que mora em um terreno baldio próximo à escola de suas filhas.
"Ela foi a primeira cadelinha que eu ajudei. Hoje ela é castrada, vacinada, vermifugada e só mora na rua porque não consegue se adaptar a uma casa", contou.
Acostumada à dureza das ruas e ao desprezo das pessoas, Julieta é só alegria quando vê Lêda Lima. Basta o carro se aproximar do terreno que a cadela já começa a acompanhá-lo e, ao ver a protetora descer, os pulos de alegria são o sinal da relação de afeto que as duas construíram. "Ela morava aqui com o irmão, Romeu, mas na última ninhada dela, a tiramos daqui e sem a companhia da irmã, ele passou a seguir um carroceiro e agora nós ajudamos o senhor com ração para ele, que vez ou outra aparece aqui", disse. Todas as manhãs, ela leva ração para Julieta. À noite, uma moradora de um prédio próximo ao terreno leva o jantar da cadela.
Charlotte perdeu o movimento das patas traseiras após um acidente e hoje vive em uma clínica, em tratamento (Foto: Divulgação)















Amigos dos Animais - Mas Julieta não é o único animal ajudado pela protetora. Hoje, ela faz parte de um grupo chamado Amigos dos Animais, que reúne pessoas que se sensibilizam com a causa animal e que querem ajudar na luta. Atualmente, o grupo está prestando assistência a sete animais, um deles é Charlotte. Após um acidente, a cadelinha perdeu o movimento das patas traseiras. Ela voltou a andar graças a um voluntário que doou uma cadeira de rodas. Agora, ela faz fisioterapia para reaprender a andar.
O grupo é coordenado por Graça Gomes, outra amante dos animais. Dos quatro bichos que tem em casa, apenas um não foi adotado. O cuidado dela é tanto que há cinco anos trouxe para São Luís uma gatinha que achou nas ruas de São Paulo, a Paulistinha. "Eu estava fazendo tratamento em São Paulo e um dia, à noite, a gata caiu da janela de um consultório em cima de mim. Eu a levei para o apartamento em que eu estava hospedada e fiquei cuidando dela durante os quatro meses que passei na cidade. Mas quando chegou o dia da minha volta, eu não tinha achado ninguém que pudesse ficar com ela. Como não ia deixá-la sozinha, trouxe comigo para São Luís", contou.
Além do cachorro Luck, Graça Gomes adotou Paulistinha, que trouxe de uma viagem (Foto: Flora Dolores)















Julieta - Mas a paixão da diarista Cristiane Lobato pelos animais foi além dos cães e gatos. Há 12 dias, ela cuida de Julieta, uma jumenta que estava abandonada. Moradora da Vila Funil, bairro da zona rural de São Luís, ela viu Julieta ao passar pela Maioba, bairro que fica em Paço do Lumiar. A jumenta estava com uma das patas feridas e perambulava de um lado para o outro na Estrada da Maioba (MA-202) enquanto era enxotada pelas pessoas da localidade.
Preocupada com a situação do animal, ela e o marido passaram a ir todos os dias cuidar da jumenta, levando comida e remédio para tratar o ferimento. Mas a distância entre o bairro em que mora e o local em que a jumenta estava dificultava o trabalho da voluntária. "Foi quando eu resolvi pedir ajuda ao doutor Uchôa para resgatarmos a jumenta", disse a diarista. O doutor Uchôa a quem ela se refere é o delegado titular da Delegacia Especial de Meio Ambiente (Dema), Sebastião Uchôa, que assumiu a delegacia após saber do assassinato de uma cadela a tiros no Cohatrac.
Julieta estava ferida, no Maiobão, acabou ganhando uma nova tutora e já está na casa de Cristiane Lobato (Foto: Flora Dolores)
Resgate - O resgate aconteceu na sexta-feira, dia 10. Foi quando ela levou o animal para o terreno onde está construindo sua casa, no Tibiri, bairro vizinho ao que mora atualmente. "Esse foi o momento mais difícil para ela, pois não conseguia andar. Eu, meu marido, doutor Uchôa e outra voluntária tivemos de carregar Julieta nos braços até o carro. O ferimento dela sangrou, mas agora ela está bem melhor e o ferimento já apresenta melhoras", frisou Cristiane Lobato.
Abrigada do sol e da chuva, sendo alimentada e recebendo a medicação adequada, Julieta já dá sinais de que está se recuperando. Apesar de não poder colocar a pata machucada no chão, ela consegue caminhar pelo terreno de sua protetora. O abandono e a agressão que sofreu até ser encontrada por Cristiane não deixou marcas. "Ela é bem tranquila, muito carinhosa com todos. Qualquer ser vivo que recebe amor se recupera muito rápido", comemorou Cristiane Lobato.
Assistência - Porém, não basta apenas amor aos animais e dedicação à causa para que o grupo mantenha seu trabalho. Além de ração, eles prestam assistência aos animais com vacinação, vermifugação, castração e até tratamentos veterinários. Somente com o tratamento de Charlotte, que por causa de sua deficiência e da necessidade de acompanhamento 24 horas mora em uma clínica veterinária, o grupo desembolsou R$ 1.128,00 este mês. Desse total, R$ 400,00 foram doações específicas para Charlotte, R$ 200,00 de um leilão relâmpago para ajudar nos custos do tratamento e R$ 585,00 referentes ao lucro dos lanches solidários realizados durante o mês de junho.


Ela é bem tranquila, muito carinhosa com todos. Qualquer ser vivo que recebe amor se recupera muito rápido"Cristiane Lobato, tutora da jumenta Julieta

Por isso, a ajuda que vem de fora é sempre bem-vinda e as protetoras precisam do apoio de pessoas que também lutam pela causa. Outra forma de arrecadação é a organização de brechós e a venda de produtos como camisetas cuja arrecadação é revertida em prol dos animais. Mas o trabalho esbarra em outra dificuldade. "Nem toda clínica veterinária aceita os animais de rua, além disso, elas cobram os mesmos preços que cobram para os animais que têm donos", disse Lêda Lima, queixando-se da falta de apoio para o trabalho voluntário feito pelas protetoras de animais.
À frente da Dema, Sebastião Uchôa constatou um problema grave que contribui para aumentar a situação de vulnerabilidade desses animais: a falta de um espaço adequado onde possam ficar até serem adotados por uma família. Por isso, o delegado começou a trabalhar na concepção do Lar de Nóe.
"Conseguimos um terreno na zona rural de São Luís, onde vamos construir um lar temporário para abrigar os animais abandonados e vítimas de violência em São Luís", explicou Sebastião Uchôa. O Lar de Noé terá uma área destinada para cães, outra para gatos e outra para equinos, como Julieta, além de uma área de triagem e atendimento veterinário.

Internet como aliada - É por meio das redes sociais que as protetoras encontram o principal canal de divulgação da causa e, consequentemente, conseguem mais ajuda para os animais abandonados. Por meio de páginas criadas nas redes sociais ou de publicações em blogs, os protetores de animais divulgam informações sobre cães e gatos disponíveis para adoção, necessitando de tratamentos, vítimas de violência, abandonados nas ruas, desaparecidos e outros. Rapidamente as informações se espalham pela rede, chamando a atenção de pessoas interessadas em oferecer um lar ou algum tipo de ajuda para o animal.
É por meio de uma fanpage que o grupo Amigos dos Animais divulga os animais que precisam da ajuda de voluntários, divulga suas ações, as datas de eventos como leilões, lanches solidários, rifas e outros para arrecadar fundos para o trabalho do grupo e também presta contas para quem os ajuda. "Essa fórmula de pedir dinheiro pela internet já está muito batida. Muita gente prefere comprar um lanche ou um objeto a simplesmente doar. Recentemente, confeccionamos camisas e vendemos para arrecadar dinheiro para a causa", explicou Lêda Lima, que também mantém um blog no qual, além de divulgar o trabalho do grupo, dá dicas sobre os cuidados que as pessoas devem ter com seus bichinhos de estimação e conta curiosidades relativas ao mundo animal.




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