Reverências para lembrar centenário de escritor Josué Montello
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Reverências para lembrar centenário de escritor Josué Montello

O centenário de Josué Montello será comemorado com vasta programação em São Luís, incluindo a Semana Montelliana, que, entre outras atividades, prevê reflexões teóricas a partir de artigos escritos por pesquisadores, estudantes e admiradores.
Nascido em 21 de agosto de 1917, o escritor maranhense Josué Montello estaria completando 100 anos e as homenagens terão início com a Semana Montelliana, de 21 a 25 de agosto, incluindo palestras, exibição de documentários e visitas guiadas ao acervo da Casa de Cultura Josué Montello, na Rua das Hortas (Centro). A ideia é estimular o interesse pela obra do autor e divulgar trabalhos e pesquisas já realizados. A programação prevê ainda publicações de uma coletânea de artigos sobre escritores maranhenses e um livro infantil, ambos escritos por Josué Montello.

O conjunto de homenagens reúne ainda o lançamento de selo postal comemorativo, site com informações sobre o centenário e apresentações teatrais inspiradas na vida e na obra do autor. Além disso, a Semana Montelliana abrirá espaço para o diálogo sobre a vida e a obra de Montello, tendo como foco pesquisadores, estudantes e admiradores do escritor. Os trabalhos podem contemplar reflexões teóricas e relatos de pesquisa. Os interessados podem inscrever artigos sobre o escritor e sua obra até dia 12 de agosto.
Cada participante pode inscrever um único artigo e este poderá ser assinado por até dois autores. A ficha de inscrição e as orientações sobre o envio dos trabalhos estão no site www.sectur.ma.gov.br. A ficha deverá ser encaminhada junto com o trabalho completo para o email ccjosuemontello@gmail.com.
Tudo sobre o autor pode ser encontrado na Casa de Cultura José Montello, um museu onde constam o último fardão que o escritor vestiu na Academia Brasileira de Letras, medalhas e placas condecorativas, troféus, diplomas, gravuras, quadros e outros objetos pessoais, bem como diversos livros. Com 34 anos de fundação, a Casa conta com quase 30 mil livros e mais de 2 mil fotografias, totalizando um acervo de aproximadamente 60 mil itens.
Doações
A maior parte das obras que compõem a Casa de Cultura Josué Montello foram doadas pelo próprio escritor em escritura pública, em 1983, incluindo obras bibliográficas, documentais e museológicas. Após a morte de Josué Montello, em 15 de março de 2006, sua esposa Yvonne Montello, que era bibliotecária, tornou-se a principal responsável pela organização do acervo do centro cultural. A viúva do escritor também já é falecida.
Em seus romances, como “Cais da Sagração”, “Os Tambores de São Luís” e “Noite Sobre Alcântara”, Josué Montello retratou, com riqueza de detalhes, cenários do Centro Histórico de São Luís e do Maranhão, mesmo vivendo no estado apenas na juventude. Além de escritor, ele foi colaborador do Jornal do Brasil, assessor de imprensa do presidente Juscelino Kubitschek e embaixador do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (Unesco), onde defendeu os títulos de Patrimônio Cultural da Humanidade para as cidades de Brasília e São Luís.
Entre romances, contos, crônicas e artigos, a profícua produção literária de Montello reúne mais de 160 títulos sobre temas diversos. Entre eles, estão “A Coroa de Areia” (1979), narrativa sobre a marcha da Coluna Prestes em terras maranhenses, e “Sombra na Parede” (1995), uma história de amor entre duas mulheres, tema que ainda soava polêmico na época.
Josué Montello era filho de Antônio Bernardo Montello e Mância de Sousa Montello. Iniciou seus estudos publicando os seus primeiros trabalhos literários em “A Mocidade”, periódico do Liceu Maranhense, onde cursou o ginásio. Em 1932, passa a integrar a Sociedade Literária Cenáculo Graça Aranha, na qual se congregaram os escritores do Maranhão de filiação modernista. Até 1936, colabora nos principais jornais maranhenses. Muda-se, a seguir, para Belém do Pará, onde é eleito, aos 18 anos, membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Pará.
No fim de 1936, transferiu-se para o Rio de Janeiro, passando a fazer parte do grupo que funda o semanário de literatura “Dom Casmurro”. No mesmo período, colabora em outras publicações, como “Careta”, “O Malho” e “Ilustração Brasileira”, além de jornais diários. Publica o primeiro romance, “Janelas fechadas”, em 1941. Seis anos mais tarde é nomeado diretor-geral da Biblioteca Nacional, exercendo também a direção do Serviço Nacional do Teatro.
Em 1953, a convite do Itamaraty, inaugurou e regeu por dois anos a cátedra de Estudos Brasileiros da Universidade Nacional Mayor de San Marcos, em Lima, no Peru. A partir de 1954, tornou-se colaborador permanente do Jornal do Brasil, no qual manteve uma coluna semanal até 1990. Novamente convidado pelo Itamaraty, regeu, em 1957, a cátedra de Estudos Brasileiros na Universidade de Lisboa, e, em 1958, na Universidade de Madri.
Entre 1969 e 1970, ocupou o cargo de conselheiro cultural da Embaixada do Brasil em Paris, e de 1985 a 1989 foi embaixador do Brasil junto à Unesco. De janeiro de 1994 a dezembro de 1995, ocupou a presidência da Academia Brasileira de Letras. Foi membro de incontáveis academias e instituições culturais no Brasil e no Exterior.

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