Lava Jato investiga propina paga pela Odebrecht em obra da Arena Corinthians
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Lava Jato investiga propina paga pela Odebrecht em obra da Arena Corinthians

A 26ª fase da Lava Jato, denominada Operação Xepa, investiga propinas pagas em dinheiro pela Odebrecht dentro do Brasil e que envolve várias obras, que vão da Arena Corinthians à Petrobras. Os investigadores disseram ainda que não têm dúvida que o presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, que está preso, participou ativamente do esquema de pagamento de propinas.
Em entrevista coletiva, não foi dito, porém, quem recebeu a propina e o valor total envolvido.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, a partir do material apreendido na 23ª fase - Operação Acarajé -, que prendeu o marqueteiro do PT João Santana, foram descobertas planilhas de controle dos pagamentos de propina da Odebrecht. A empreiteira pagou pelo menos US$ 3 milhões em conta secreta do marqueteiro na Suíça.
Durante a entrevista coletiva, os promotores detalharam algumas das planilhas com os codinomes, valores, assim como os locais onde as propinas eram entregues. Foi dito que havia uma "contabilidade paralela". Há executivos que estavam envolvidos em obras como o aeroporto de Goiânia e ao Trensurb (RS).
"Nós temos diversas diretorias [da empresa] envolvidas, não apenas a Petrobras. Óleo e gás, ambiental, infraestrutura, estádio de futebol, canal do sertão e diversas outras obras e áreas da Odebrecht que estão sendo investigadas hoje pelo pagamento de propina. Na medida do possível, o juiz Sergio Moro baixará o sigilo, os fatos ficarão mais claros", disse o procurador do Ministério Público Federal, Carlos Fernando Santos de Lima.
Em seguida, Lima completou e disse que se trata da Arena Corinthians, estádio construído pela empreiteira e que foi usado para a Copa do Mundo de 2014.
André Negão (camisa azul) é levado para depor por policiais federais em SP
"Em relação aos estádios da Copa, temos indicativos de outras fases, inclusive de delações que estão em andamento, a produção dos procedimentos. Nesta fase, foram identificados pagamentos a uma diretoria [da Odebrecht] que cuida especificamente da Arena Corinthians", afirmou. "Mas não temos clareza de toda a movimentação."
Uma das pessoas que tiveram que ir à Polícia Federal depor (coercitivo) foi André Luiz de Oliveira, conhecido como André Negão, primeiro vice-presidente do Corinthians desde 2015. Negão já trabalhou com jogo do bicho e prometeu, ano passado, a ser o primeiro presidente negro do clube. Segundo o Ministério Público Federal, ele teria recebido R$ 500 mil em propina. Segundo a acusação, Negão teria o codinome de "Timão".
Segundo o delegado Igor Romário de Paula, "foram identificados pagamentos feitos por uma diretoria (da Odebrecht) que cuida especificamente da Arena Corinthians". O delegado não citou diretamente o clube, mas apontou indícios de pagamento e recebimento de propina entre executivos da empreiteira que atuavam na obra. A condução coercitiva nesta terça-feira de André Negão tentará apurar se o esquema alcançou o clube de alguma forma, ainda conforme o delegado.
O deputado federal e ex-presidente do clube Andrés Sanchez afirmou, nessa terça, ao UOL Esporte: "somos vítimas". Há um mês, o ex-dirigente disse que via o Corinthians como alvo da Lava Jato. "Estão querendo incluir de qualquer jeito, por causa de minha amizade com o Lula. E eu quero que ponham. Quero que o estádio vá para Lava Jato. Investiguem. Me chamem e vou falar tudo", afirmou.

Em nota oficial, o Corinthians anunciou estar apurando internamente o caso, e promete colaborar com as investigações.
A procuradora da República Laura Tessler afirmou que as descobertas mostraram uma "estrutura profissional de pagamento de propinas na Odebrecht".
 
Segundo ela, a participação de Marcelo Odebrecht, que está preso desde junho do ano passado, é clara.
 
"Há referências das iniciais de Marcelo Odebrecht, tanto de MPO quando de DP, diretor presidente. (...) além da referência existentes nessas tabelas, as anotações constantes de celulares também se compatibilizam com o que consta dessas tabelas."
 
Segundo o Ministério Público Federal, os "pagamentos ilícitos" teriam ocorrido até pelo menos o segundo semestre de 2015, mesmo após a prisão do presidente da empreiteira. São investigados, de acordo com a Procuradoria, possíveis crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de ativos oriundos de desvios da Petrobras, cometidos por empresários, profissionais e lavadores de dinheiro ligados ao Grupo Odebrecht.
 
Um dos detidos nessa terça foi o executivo Humberto Mascarenhas, chefe do setor de operações da Odebrecht.
 
Em uma das contas apuradas descobriu-se que R$ 66 milhões foram distribuídos entre 25 a 30 pessoas. 



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