Casos de mortes por calazar já são quatro vezes mais do que em 2014
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Casos de mortes por calazar já são quatro vezes mais do que em 2014

PERIGO A SAÚDE
Este ano, já morreram oito pessoas vítimas da doença, conforme a Secretaria de Estado da Saúde; quantidade de mortes e notificações têm aumentado
Panfletagem sobre Leishmaniose é realizada no Centro, para coibir avanço da doença na capital
As mortes de pessoas por leishmaniose visceral (também conhecido como calazar) quadriplicaram em um ano em São Luís. Conforme os dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Em todo o ano passado, foram registrados dois óbitos por causa da doença, enquanto de janeiro a julho deste ano oito mortes foram contabilizadas na capital maranhense. A leishmaniose tem cura, mas a demora das pessoas em buscar o tratamento adequado é o principal fator para os óbitos.
Os casos da doença estão sendo registrados com muita frequência em São Luís e começam a preocupar as autoridades públicas. De janeiro a julho deste ano, 37 ocorrências foram notificadas na capital e resultaram na morte de oito pessoas. Em todo o ano passado, ocorreram 31, ocasionando dois óbitos. Conforme os dados, a quantidade de casos registrados na metade deste ano superou o total das de 2014.

A leishmaniose pode ser do tipo tagumentar americana (LTA) ou visceral (LV) e a última é a forma mais grave da doença, pois causa sérias lesões nas vísceras, como no fígado e baço, que podem levar à morte se não for feito o tratamento adequado. Ela era, primariamente, uma zoonose caracterizada como doença de caráter eminentemente rural, mas recentemente vem se expandindo para áreas urbanas de médio e grande porte.
Em São Luís, também se observa cada vez mais a sua incidência nas áreas urbanas por causa da devastação das zonas rurais, consequência direta do processo de urbanização. Dessa forma, o mosquito transmissor da doença migra para os grandes centros, afetando as pessoas que moram nesses locais.
"Em São Luís há uma preocupação grande, pois o mosquito está se deslocando para a zona urbana. Por causa dessa situação, torna-se mais difícil o controle da doença e ainda enfrentamos dificuldades para entrar nas casas para aplicar o inseticida", disse Raimundo Farias Rodrigues, coordenador de endemias da SES.
As leishmanioses são consideradas primeiramente como zoonoses, podendo acometer o homem, quando este entra em contato com o ciclo de transmissão do parasita, transformando-se em antropozoonose. Atualmente encontra-se entre as seis endemias consideradas prioritárias no mundo.
Ontem, a SES, por meio da Superintendência de Epidemiologia e Controle de Doenças, realizou, na Praça Deodoro, ações de saúde para informar a população sobre os sinais e sintomas das leishmanioses tagumentar americana (LTA) e leishmaniose visceral (LV).
Durante a atividade, dois estandes foram montados no local e técnicos dos serviços de vigilância estadual disponibilizaram materiais informativos sobre formas de prevenção e controle das leishmanioses. Também houve aferição de pressão arterial, teste glicêmico e verificação de peso e altura (IMC).
Na ação, os profissionais chamaram atenção para a necessidade das pessoas acometidas pela doença buscarem o tratamento o quanto antes. "O tratamento é longo e muitas pessoas ainda demoram a procurar esse tratamento. Quando procuram, já está em estado avançado e pode ser tarde demais", disse Daniel Saraiva, chefe do Departamento de Controle de Zoonoses da SES.
NÚMEROS
37 casos de leishmaniose 
visceral registrados de janeiro à julho deste ano em São Luís
8 mortes por causa da doença este ano
31 casos de leishmaniose visceral registrados no ano passado
2 mortes por causa da doença em 2014

SOBRE A DOENÇA

A Leishmaniose Visceral
 ou calazar é uma doença transmitida pelo mosquito-palha ou birigui (Lutzomyia longipalpis) que, ao picar, introduz na circulação do hospedeiro o protozoário Leishmania chagasi. Ela é uma doença sistêmica, caracterizada por febre de longa duração, perda de peso, astenia, adinamia e anemia, entre outras manifestações. Quando não tratada, pode evoluir para óbito em mais de 90% dos casos.

O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações que podem pôr em risco a vida do paciente. Além dos sinais clínicos, existem exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico. Entre eles destacam-se os testes sorológicos (Elisa e reação de imunofluorescência), e de punção da medula óssea para detectar a presença do parasita e de anticorpos. É de extrema importância estabelecer o diagnóstico diferencial, porque os sintomas da leishmaniose visceral são muito parecidos com os da malária, esquistossomose, Doença de Chagas, febre tifoide, etc.

Ainda não foi desenvolvida uma vacina contra a leishmaniose visceral, que pode ser curada nos homens, mas não nos animais. Os antimoniais pentavalentes, por via endovenosa, são as drogas mais indicadas para o tratamento da leishmaniose, apesar dos efeitos colaterais adversos.

Em segundo lugar está a anfotericina B, cujo inconveniente maior é o alto preço do medicamento. Uma nova droga, a miltefosina, por via oral, tem-se mostrado eficaz no tratamento dessa moléstia. A regressão dos sintomas é sinal de que a doença foi pelo menos controlada, uma vez que pode recidivar até seis meses depois de terminado o tratamento.

Para combater a doença, é essencial o apoio da população no que diz respeito à higiene ambiental (manejo ambiental). Recomenda-se a limpeza periódica dos quintais, com retirada de folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favoreçam a umidade do solo e destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir o desenvolvimento das formas imaturas dos flebotomíneos; a limpeza dos abrigos de animais domésticos; bem como a manutenção de animais domésticos distantes do domicílio, especialmente durante a noite, de modo a reduzir a atração dos flebotomíneos para o intradomicílio.

Outra forma de controle do inseto transmissor é por meio do uso de inseticida (aplicado nas paredes de domicílios e abrigos de animais). Porém, a sua indicação é apenas para as áreas com elevado número de casos, como municípios de transmissão intensa, moderada ou em surto de leishmaniose.

Cães de rua aumentam casos da doença

A grande população de cães de rua em São Luís contribui para aumento de casos em São Luís. Embora alguns canídeos (raposas, cães), roedores, edentados (tamanduás, preguiças) e equídeos possam ser reservatório do protozoário e fonte de infecção para os vetores, nos centros urbanos a transmissão se torna potencialmente perigosa por causa do grande número de cachorros, que adquirem a infecção e desenvolvem um quadro clínico semelhante ao do homem.

O Centro de Controle de Zoonoses, responsável pelo controle de cães e gatos em São Luís, suspendeu os serviços de recolhimento dos animais abandonados nas ruas, contribuindo para o aumento da população.

A paralisação das atividades no CCZ aconteceu após uma notificação do Conselho Regional de Medicina Veterinária e da Promotoria do Meio Ambiente. Continuam funcionando apenas os serviços de vacinação de casa em casa e os exames de diagnóstico de doenças.

Com o aumento da população de animais errantes, aumenta também os riscos à saúde dos bichos e também dos seres humanos. A principal zoonose que incide entre esses animais ainda é a leishmaniose visceral ou calazar.


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