Bairro de São Luís pode estar sofrendo com surto de calazar
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Bairro de São Luís pode estar sofrendo com surto de calazar

MORTE DE CÃES
 16/07/2015 – Jornal O Estado do MaranhãoSomente nos últimos três meses, quatro animais morreram vítimas da doença; moradores acreditam que foco estaria em prédio abandonado

Cadela dorme na rua no Retiro Natal; calazar já causou quatro óbitos no bairro
Cadela dorme na rua no Retiro Natal; calazar já causou quatro óbitos no bairro (Foto: Flora Dolores)

Um dos bairros tradicionais do centro da capital maranhense, o Retiro Natal, registrou - de abril a julho deste ano - quatro casos confirmados de calazar (doença parasitária e transmitida pelo mosquito-palha infectado) em animais, que resultaram em óbitos. Além do alto índice de registros da enfermidade, outro aspecto que chama a atenção é o fato de as mortes terem ocorrido na mesma via, na Rua Sílvio Romero.
O Estado visitou na tarde de ontem o Retiro Natal e comprovou que o primeiro caso recente de óbito envolvendo animais aconteceu em abril deste ano. O segundo ocorreu em maio e teve como vítima um animal de 2 anos e meio de idade e cujos sintomas começaram a surgir em fevereiro.


De acordo com uma das donas do animal, a técnica em Alimentos Regina Lopes, uma das possíveis causas do registro da doença é o fato de que, a poucos metros de sua residência, nas instalações do antigo hortomercado do Monte Castelo, há uma grande concentração de animais sem dono com sintomas do calazar. "Eles se concentram no prédio e com maior ocorrência durante a noite, já que o local é utilizado como dormitório por eles", disse.
Outra moradora cujo animal faleceu com calazar foi a dona de casa Fátima Maria Oliveira, também moradora da Rua Sílvio Romero, no mesmo bairro. Segundo ela, a sua cadela (uma poodle de aproximadamente 9 anos) foi sacrificada na última terça-feira, dia 14, por orientação médica. "Quando a gente procurou o veterinário, a minha cachorrinha já estava muito doente. Não houve alternativa", afirmou.
O quarto caso de falecimento de animal por causa do calazar no bairro ocorreu em um cão de rua.

Além dos quatro casos registrados este ano, em 2013 outro animal na mesma via faleceu por calazar. "Meu animal faleceu ainda no ano passado, também por causa da doença", disse o empresário Fábio Bello, morador da Rua Sílvio Romero.

Somada à presença de animais em situação de rua com sintomas da doença nas antigas instalações do hortomercado, outro fator que, segundo os moradores, está contribuindo para o surto da doença no local é de um dos residentes na via criar de forma indevida animais em seu imóvel, instalado na Rua Sílvio Romero. O Estadotentou fazer contato com o responsável pelo imóvel, mas ninguém foi encontrado para tratar sobre o assunto.

Tratamento - De acordo com o veterinário Renan Nascimento de Moraes, existe tratamento para o calazar, mas ele é considerado caro. Outro tratamento menos eficaz, segundo ele, é o autoimune - à base de vacinas. No entanto, sem a mesma eficácia do tratamento com maior valor aquisitivo (em média, custa de R$ 3.500 a R$ 4 mil).

Quanto às formas de prevenção, o veterinário esclareceu que as doses de vacina devem ser aplicadas no animal. "A cada seis meses é o mais recomendável. Somado ao transmissor, as precárias condições de saneamento básico da capital contribuem para o aparecimento da doença", disse.
CCZ - Desde o início do ano, o Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) da capital maranhense não efetua o recolhimento de animais infectados. De acordo com a administração do CCZ, após a reforma que está sendo realizada na sede, localizada no campus Paulo VI da Universidade Estadual do Maranhão, os serviços de recolhimento e controle do calazar serão retomados. Sobre a confirmação de casos de calazar em outros bairros da cidade e possibilidade de surto, até o fechamento desta página, a direção do CCZ não se pronunciou sobre o assunto.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), até junho deste ano, foram contabilizados cinco óbitos em humanos no Maranhão por causa do calazar. Ainda segundo a SES, os casos aconteceram em Chapadinha, Coroatá, Imperatriz, Matões do Norte e Pindaré-Mirim.
Ainda ontem, a secretária municipal de Saúde, Helena Dualibe, informou que encaminharia a informação sobre o surto de calazar no Retiro Natal à Vigilância Epidemiológica.
SINTOMAS EM CÃES
- Emagrecimento;
- Sangramento nasal ou oral;
- Problemas nos olhos;
- Crescimento exagerado das unhas;
- Problemas renais.

Vacinação a cada seis meses é o mais recomendável. Somado ao transmissor, as precárias condições de saneamento básico da capital como um todo contribuem para o aparecimento da doença

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