Ferreira Gullar e Papete estão entre os homenageados na Ordem do Mérito Cultural 2016

O poeta Ferreira Gullar e o
percussionista Papete, dois grandes talentos culturais nascidos no Maranhão e
reconhecidos mundialmente serão homenageados este ano com a comenda Ordem do
Mérito Cultural, condecoração do Ministério da Cultura e considerada a maior
condecoração dada a personalidades nacionais e estrangeiras como forma de
reconhecer a contribuição delas à cultura brasileira. A solenidade de entrega
do prêmio ocorrerá nesta segunda-feira, às 19h, no Palácio do Planalto, em Brasília.
Este ano, em sua 22ª edição, irá
homenagear seis entidades e várias personalidades em suas três classes:
Grã-cruz, Comendador e Cavaleiro. Os maranhenses receberão a classe Grã- Cruz,
a categoria máxima da Ordem do Mérito Cultural.
A Ordem do Mérito Cultural – OMC é
uma condecoração outorgada pelo Ministério da Cultura (MinC) a pessoas, grupos
artísticos, iniciativas ou instituições a título de reconhecimento por suas
contribuições à Cultura brasileira. A homenagem, criada pelo Governo Federal em
1995 por meio de decreto, é feita anualmente em comemoração ao Dia Nacional da
Cultura (5 de novembro). O MinC confere à OMC ampla abrangência temática, de
forma a contemplar áreas do saber e do fazer que tornam marcante nossa cultura,
dentro e fora do país, e que sejam representativas da riqueza e da diversidade
cultural brasileira.
A escolha dos agraciados ocorre todos
os anos por meio de seleção entre nomes previamente indicados. Qualquer pessoa
pode fazer uma indicação, dentro do prazo estabelecido, preenchendo o
formulário disponível na página principal do blog ou enviando pelos Correios.
Perfis
Ferreira Gullar é considerado um dos
maiores poetas vivos do Brasil, com seis décadas de produção artística. Nascido
em São Luís no dia 10 de setembro de 1930, o poeta é um dos mais notáveis
escritores do Brasil. Sétimo ocupante da cadeira nº 37, da Academia Brasileira
de Letras, o poeta foi eleito em 9 de outubro de 2014, na sucessão de Ivan
Junqueira, e recebido em 5 de dezembro de 2014, pelo Acadêmico Antonio Carlos
Secchin. A sua entrada tardia à ABL se deveu pela falta de vontade do poeta que
se considerava avesso às instituições e durante 30 anos relutou em concorrer a
uma vaga. Sua decisão em participar foi para homenagear Ivan Junqueira, amigo
de vários anos.
Sua obra perpassa por poesias,
ensaios, biografias, crônicas, contos, literatura infanto-juvenil, entre outras
obras importantes. No começo de outubro, o livro “Poema Sujo” ganhou uma nova
edição pela Companhia das Letras. Publicado originalmente em 1976, foi o livro
escolhido para marcar a estreia de Ferreira Gullar na Companhia das Letras, em
janeiro, quando o escritor assinou contrato para levar toda sua obra para a
editora, após décadas na José Olympio.
“Poema Sujo” é um dos poemas mais
importantes de Gullar, que o escreveu enquanto estava exilado em Buenos Aires,
durante a ditadura militar brasileira. “Sentia-me dentro de um cerco que se
fechava. Decidi, então, escrever um poema que fosse o meu testemunho final,
antes que me calassem para sempre”, escreveu Gullar.
Já Papete, falecido no dia 26 de maio
deste ano, é um ícone da cultura maranhense, que tornou as festas juninas da
cidade inesquecíveis. O percussionista foi intérprete de canções que se
consagraram no cancioneiro popular do Maranhão. Ícone em sua terra, foi
reconhecido e premiado internacionalmente em diversas ocasiões.
Em sua carreira gravou 22 álbuns, com
ritmos e elementos da música maranhense. Entre suas produções, destaque para o
álbum “Bandeira de Aço”, de 1978, que deu visibilidade a uma geração de
compositores maranhenses como César Teixeira e Josias Sobrinho estavam no
projeto, com músicas como “Flor do Mal”, “Bandeira de Aço”, “Boi da Lua”, “Boi
de Catirina”, “Engenho de Flores”, “Catirina”, “Dente de Ouro” entre outras. O
álbum até hoje é considerado um dos mais respeitados da música brasileira.
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