Um dos maiores cantores brasileiros, Cauby Peixoto morre aos 85 anos
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Um dos maiores cantores brasileiros, Cauby Peixoto morre aos 85 anos

Cauby em pose de galã, em 2015.

Calou-se no final da noite deste domingo (15), aos 85 anos, a voz de Cauby Peixoto, há quase sete décadas um dos maiores cantores brasileiros. O artista estava internado desde o último dia 9 no hospital Sancta Maggiore, na zona oeste de São Paulo, com um quadro de pneumonia, informou sua assessoria.

A página oficial do cantor no Facebook também confirmou a morte, publicando a seguinte mensagem: "Com muita dor e pesar informamos aos amigos e fãs que nosso ídolo Cauby Peixoto acaba de falecer as 23:50 do dia 15 de maio. Foi em paz e nos deixa com eterna saudades. Pra sempre Cauby!"


Ao lado da parceira de longa data Ângela Maria, Cauby estava em turnê pelo Brasil com o show "120 Anos de Música". No repertório, baseado no disco "Reencontro", músicas que marcaram as trajetórias dos dois artistas, como "Vida de Bailarina", "Gente Humilde" e "Bastidores". Eles fariam uma apresentação no Sesc, neste fim de semana, em ocasião da Virada Cultural. A última apresentação do cantor foi no dia 3 de maio, no Theatro Municipal do Rio.

No início de 2015, o cantor chegou a cancelar, devido a problemas e saúde, sua participação no espetáculo "Falando de Amor".

O velório do artista acontece desde as 8h na Assembleia Legislativa de São Paulo, próximo ao parque Ibirapuera. O enterro deve ocorrer a partir das 17h, no cemitério Congonhas, na zona sul, onde a família de Ângela Maria tem jazigo, informou o marido da cantora.


Os problemas de audição podiam ser o motivo principal. Mas Cauby parece ter sempre vivido num mundo à parte, quase infantil. O nosso Michael Jackson.
No auge da carreira, anos 1950, teve sua imagem e seu repertório construídos pelo empresário Di Veras. Aparecia na imprensa como um suposto arrasador de corações femininos. Não podendo exercer o papel com total autenticidade, amparava-se em seus recursos teatrais.

"Sou um personagem, uma mulher no palco. (...) Acho que sempre fui assim, porque quando estou cantando não sei mais de mim", disse ele ao biógrafo Rodrigo Faour. "Meu lado feminino contribui para me manter sempre jovem."
Nasceu para cantar e brilhar. Se amou muito, se ia à feira comprar verduras, se tinha amigos com quem conversar, pouco se sabe. Sabe-se de sua voz —em queda com o tempo, mas nunca frágil— e de sua figura com traços e roupas quase implausíveis, como fruto da imaginação de uma criança.
"Não quero envelhecer. Se for preciso, faço 300, 400 plásticas", afirmou numa entrevista.
É incrível como "Bastidores" lhe cai à perfeição, embora não tenha sido feita por Chico Buarque para ele. "Com muitos brilhos me vesti/ Depois me pintei, me pintei/ Me pintei, me pintei."

E é curioso, quase paradoxal, que o último dos vozeirões masculinos da era de ouro do rádio brasileiro a se apagar seja o de alguém que sempre quis se manter jovem. Com a morte de Cauby, encerra-se uma era.

Por necessidade financeira, mas também existencial, insistiu na carreira até se tornar cruel cantar assim. Deu canjas em shows de Zeca Pagodinho para um público que não queria ouvi-lo, passou a se apresentar sentado, submeteu-se a repertórios inferiores ao seu talento, tudo para não parar.

Não tendo nascido para fazer outra coisa que não fosse interpretar (músicas e papéis), só parou quando não havia mais como domar a natureza. 




Cauby Peixoto e Ângela Maria durante emocionante show no Theatro Municipal de São Paulo em 2012

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