Corte no repasse de verbas leva crise à UFMA
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Corte no repasse de verbas leva crise à UFMA

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URBANO - O IMPARCIAL 
Em fevereiro do ano passado, o Ministério da Educação (MEC) anunciou a redução de 30% da verba destinadas às universidades federais de todo o país, um corte que chegou a 45% ainda em junho do mesmo ano. Na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a queda de verba tem gerado transtornos e prejudicado e ensino e pesquisa no estado, com a falta de recursos para manutenção e cortes em bolsas de ensino e pesquisa.
Trabalhadores de empresas terceirizadas, como de segurança e limpeza, chegaram a paralisar as atividades por falta de pagamento de salários, enquanto bolsas para pesquisa e verbas para eventos estão sendo reduzidos ou mesmo cortadas pela instituição federal, além de paralização nas obras antes em andamento no campus de São Luís.
A pró-reitora de Gestão e Finanças, Eneida Ribeiro, confirma os problemas financeiros e os cortes em alguns setores da universidade buscando o equilíbrio das finanças.
“Por conta do contingenciamento financeiro imposto pelo governo, a UFMA foi obrigada a fazer uma redução considerável de contratos de bens e serviços, que incluem gastos com terceirizados e despesas de água, energia, passagens e outros”, afirmou.
O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), equivalente ao Pibic, de iniciação à pesquisa para alunos, teve o número de professores atendidos em 2016 reduzido, com cortes e não renovação de processos já existentes. As bolsas são concedidas pela Fundação Capes, ligada ao Ministério da Educação.
“O PIBID é administrado diretamente pelo Governo Federal, que está reestruturando o programa. Entendemos que essa readequação passa pela situação econômica que o país vive”, afirmou Eneida Ribeiro.
Para evitar uma degradação maior no ensino e na pesquisa da Ufma, a pró-reitora acredita que a gestão da universidade fará todos os esforços possíveis para evitar o processo.
“A determinação da reitora é que os serviços essenciais relacionados ao processo de ensino-aprendizagem sejam prioridade, de modo que não haja descontinuidade nas suas ações. Dificuldades pontuais não afetam a normalidade desse processo”, completou.
restaurante universitário
Restaurante afetado
Segundo a professora doutora do Departamento de História da UFMA, Regina Faria, desde o ano passado a Instituição foi avisada dos cortes nas bolsas. A docente comentou ainda que alunos de baixa renda estariam sendo os mais afetados por períodos em que o Restaurante Universitária não funciona para o jantar.
“O restaurante universitário teve o seu atendimento para o jantar suspenso por um período de 132 dias úteis, entre 13 de julho do ano passado e janeiro deste ano. A reitora da UFMA, Nair Portela, se empenhou fortemente para que o serviço fosse restabelecido no jantar. Desde o dia 22 de janeiro, o RU está funcionando normalmente nos turnos da manhã e noite”, explicou a pró-reitora.
O diretor do Centro de Ciências Sociais, Professor Doutor César Castro, contou que a falta de recursos tem gerado uma "cadeia de prejuízos" à Universidade. "Toda a parte de limpeza e manutenção do prédio do CCSO foi afetada. Houve cortes de pessoal e isso acaba prejudicando diretamente nas aulas, se não tivermos o mínimo em coisas básicas do dia-a-dia a qualidade do ensino cai."
Sem dinheiro para bolsas
Alunos e membros do corpo docente contaram que as dificuldades se estendem pela Biblioteca que não contaria com exemplares suficientes de muitos títulos e a falta de bolsas para os alunos ingressarem nos programas de extensão, além de cortes nos recursos para a promoção científica, como eventos acadêmicos, chegando á Rádio Universidade com a demissão de três funcionários esse mês.
"Todos sabemos o que está acontecendo, falta material de limpeza, os seguranças ficaram três dias sem patrulhar o campus, porque não estavam recebendo seus salários. E pior, os professores deixam claro que se quisermos entrar para os projetos de extensão tem de ser como ouvintes ou sem bolsa, porque não tem dinheiro para bolsas", contou Heide Sousa, aluno do segundo período de Design e estagiário no Centro de Ciências Sociais.
O estudante do curso de Engenharia Elétrica, e ex-bolsista da Fundação Sousândrade, Richardson Carvalho, contou que os livros têm de ser solicitados com um mês de antecedência na Biblioteca da Universidade, pois não há exemplares para boa parte dos alunos. "Fui bolsista da Sousândrade, e não pude renovar minha bolsa, porque faltam recursos. Já aqui quando vamos solicitar um livro, somos avisados que temos de esperar um mês", disse.
rádio universidade
Rádio Universidade sofre com demissões
Por mais dura que pareça a afirmação, ela tem sido feita por funcionários e, agora, ex-funcionários da emissora de rádio da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). A situação faz parte do conjunto de dificuldades financeiras que a Universidade vem passando nos últimos meses.
A UFMA é mantida em parte por recursos diretos do Governo Federal e em parte por instituições como a Fundação Sousândrade, responsável pela folha de pagamento de manutenção da Rádio Universidade. Dos quase 25 funcionários que trabalham diariamente no veículo, apenas quatro são funcionários públicos, incluindo o diretor José Arnold Filho, que contou como a situação chegou ao ponto das demissões.
"Foram demitidas três pessoas, uma do administrativo e duas do quadro de profissionais de Comunicação. Já havíamos passado por crises, mas como essa nunca vi. Tivemos que chegar ao ponto de demitir pessoas. Enquanto diretor da Rádio, lamento muito as demissões, e sei que a Reitoria, que está à par da situação, também lamenta muito. Toda a Universidade está em uma situação difícil, é uma crise geral no país, que chegou até aqui com a diminuição dos recursos federais", disse Arnold Filho. O comunicólogo lembrou ainda que a redução de repasses federais é comum em muitas universidades do Brasil.
O diretor ressaltou que caso algo mude e o quadro possa voltar a ser preenchido será dada prioridade para chamar as pessoas que foram demitidas, entretanto não descartou a possibilidade de mais demissões, que, segundo relatos de professores da Universidade pode chegar a 20 pessoas, todas sob responsabilidade da Sousândrade.
Arnold apontou ainda que a falta de pagamentos de órgãos públicos que fazem propaganda institucional e empresas privadas que anunciam na Rádio ajudou a agravar a crise. “Não estamos recebendo esses pagamentos. Alguns disseram que não tem como nos pagar mais”, comentou.
“A Rádio Universidade é uma concessão da Fundação Sousândrade. Como todos os setores, as fundações também sofrem com a queda no orçamento provocada pelas dificuldades na captação de recursos. O corte de funcionários é sempre uma medida drástica e deve ser o último recurso a ser adotado. A gestão da UFMA trabalha para que não haja novos cortes e estuda o que pode ser feito para minimizar o impacto provocado pela perda desses profissionais”, completou Eneida Ribeiro.
Faltam recursos na Fundação Sousândrade
A superintendente da Fundação Sousândrade no Maranhão, Luciana Gurgel, afirmou que o processo é reflexo de "uma crise geral", mas também de um processo natural de fim de projetos.
"Tivemos um redução de verbas, parceiros não estão renovando contratos. Isso influiu na Rádio Universidade, que é mantida pela Fundação. Tivemos de fazer uma redução de gastos, além de alguns contratos que estão acabando e não serão renovados", ressaltou a superintendente, que não confirmou o número de pessoas que ainda serão demitidas.
A Rádio Universidade, ao lado da TV Ufma, é um dos locais onde os alunos dos cursos de Comunicação Social fazem seus estágios, parte obrigatória na conclusão da graduação. Uma estagiária, que prefere não se identificar, contou que faltam também materiais para o dia a dia de trabalho, como “papel e tinta para as impressoras”.
"Infelizmente, pelo que vemos, a Rádio está caminhando para o fechamento, uma emissora que serve de campo de estágio para os estudantes de Comunicação. Trabalhei na Rádio por seis anos, não há uma gestão que priorize os funcionários. Disseram-nos que não tem mais como manter os funcionários e que aconteceriam demissões", contou Elda Cardoso, que até hoje trabalhou como recepcionista da Rádio Universidade, e foi uma das pessoas demitidas.
Funcionários se manifestaram através de redes sociais, contando das demissões e como se sentem tristes com o que está havendo na instituição. "Falta de recursos financeiros da UFMA e Rádio Universidade + caixa no vermelho da Fundação Sousândrade + DEMISSÕES", escreveu a radialista Val Monteiro em sua página pessoal na internet, onde disse que as pessoas ficaram surpresas com as demissões.
Cortes Federais em todo o país
Em agosto de 2015 o MEC reconhecia a necessidade de ajustas dos gastos das Universidades Federais e que em 2016 esperava um orçamento com mais ganhos que no ano anterior. O secretário executivo do Ministério à época, Luiz Cláudio Costa disse, durante reunião do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, reconhecer a dificuldade financeira, culpando a baixa arrecadação para o repasse. Em todo o país, o contingenciamento de gastos do Ministério da Educação chegou a cortar R$ 10,3 bilhões.

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