PERIGO ! Maranhão foi o estado com mais mortes de jornalistas no ano passado, aponta relatório
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PERIGO ! Maranhão foi o estado com mais mortes de jornalistas no ano passado, aponta relatório

  • Levantamento da Abert lembra os assassinatos, ainda sem elucidação, de dois blogueiros no interior em 2015
SÃO LUÍS - No início desta semana, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) divulgou relatório que cita a morte de oito jornalista e 64 tentativas de agressão no país em 2015. E, segundo este documento, o Maranhão foi o estado com mais assassinatos desta natureza neste período. O levantamento lembra os casos dos blogueiros Ítalo Diniz Barros, morto em Governador Nunes Freire, e Orislândio Timóteo Araújo, o Roberto Lano, assassinado em Buriticupu, ambos os crimes teriam ligações política. A equipe de O Estado Online entrou em contato com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-MA), mas, até o momento, não obteve informações as sobre investigações.

Ainda de acordo com a Abert, a ONG internacional Press Emblem Campaign - criada por jornalistas independentes, com sede na Suíça – colocou o Brasil na quinta colocação entre os países mais perigoso do mundo para o exercício desta profissão, superando, inclusive, regiões que sofrem com guerras.
O relatório sobre liberdade de imprensa aponta que os crimes foram cometidos no Ceará (1 caso), Pernambuco (1), Alagoas (1), Bahia (1), Minas Gerais (1), Mato Grosso do Sul (1) e Maranhão (2). No texto, a associação relata que Ítalo Diniz Barros, de 30 anos, foi atingido por disparos de arma de fogo “mesmo após ter registrado boletim de ocorrência revelando ameaças de morte e, segundo investigações da polícia, o jornalista estaria incomodando políticos da região”. Já sobre Roberto Lano, 37 anos, o texto diz que ele “denunciava políticos locais em seu blog e a última postagem feita pelo jornalista tinha como alvo José Gomes (PMDB), prefeito de Buriticupu”.
No fim do ano passado, a Superintendência de Homicídios do Maranhão (SHPP) informou que equipes da polícia permanecem apurando o caso, com equipes nas cidades onde aconteceram as mortes. Na época, o delegado Leonardo Diniz disse em entrevista ao O Estado Online que estes crimes são considerados complexo por causa da gama de denúncias feitas pelas vítimas.
Estes crimes tiveram repercussão internacional e a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, chegou e pedir punição aos culpados e afirmou: “São condenáveis os casos de mortes de profissionais de mídia em todas as partes do mundo”.

Triste realidade
No dia do lançamento do relatório, que aconteceu na segunda-feira (22), o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, Daniel Slaviero, falou em inversão de valores e crueldade. ““Foi um ano cruel para o jornalismo brasileiro. Está ocorrendo uma inversão de valores, onde o profissional da imprensa devidamente identificado tem se tornado alvo das agressões, seja pelos próprios manifestantes ou, ainda mais grave, pelos policiais que têm a obrigação constitucional de garantir a segurança desses profissionais”.
Ranking feito pela ONG internacional Press Emblem Campaign sobre assassinato de jornalistas (Foto: Reprodução internet )

De acordo com Slaviero, 2016 preocupa ainda mais por ser ano de eleições municipais: “Todos os casos [de morte] que ocorreram em 2015 estavam relacionados à investigação em casos de corrupção, seja envolvendo agentes públicos ou empresários. Então, como estamos em um ano de eleições municipais e os veículos de comunicação fazem um papel investigativo muito forte, é uma preocupação para a ABERT e para as outras entidades que acompanham o trabalho jornalístico que esses números não sejam agravados”.

Nesta última edição, o relatório Abert está diferente das anteriores em relação ao período de apuração. Antes, os dados eram computados no período de outubro a outubro e apresentados durante a Conferência da Associação Internacional de Radiodifusão (AIR). A atual versão compila os casos que aconteceram durante todo o ano, de janeiro a dezembro.

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