Oitenta Nauros de Poesia
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Oitenta Nauros de Poesia

Nauro Machado, José Sarney e Alex Brasil


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A poesia de Nauro Machado está impregnada em becos, praças e ruas de São Luís, cidade que leva consigo a densidade dos versos
 Praticamente todas as ruas, praças, becos e pedras de São Luís estão impregnados do olhar, dos passos e dos versos do grande poeta Nauro Machado, um dos mais argutos críticos da cidade e, ao mesmo tempo, um de seus maiores defensores.


Dono de uma singularíssima dicção poética, Nauro Machado começou a publicar seus poemas há quase seis décadas, quando, em 1958, trouxe à luz seu livro de estreia – Campo sem Base, no qual já é possível encontrar um de seus mais emblemáticos poemas: O Parto, em cujos versos já traz uma espécie de profissão de fé do que seriam seus poemas a partir daquele momento. O então estreante já tinha consciência de que habitam no mesmo ser um Homem e um Poeta, mas que só deles um pode aspirar à completude, pois o lado poesia do ser humano está sempre em construção, “é duro e dura/ e consome toda/ uma existência”.
A partir desse primeiro livro, uma profusão de outros textos de autoria do vate maranhense inundou a vida poética da Cidade. Mas essa inundação de palavras, imagens, cores e versos não se limitou à Ilha e acabou transbordando para outros pontos do estado, do Brasil e de outros países, tornando Nauro Machado um dos mais conhecidos poetas maranhenses do mundo a partir do último quartel do século XX e no início do XXI.
Autodidata, Nauro Machado fez do contato com grandes nomes da literatura universal a sua escola e sua universidade. Sua poética dialoga em altíssimo nível com o que temos de melhor na obra dos grandes mestres da literatura de diversas nacionalidades e épocas. Em uma leitura mais atenta é possível perceber em seus textos traços da vivência diária com grandes poetas como Mallarmé, Cummings, Fernando Pessoa, Augusto dos Anjos, Gonçalves Dias e Ezra Pound. Mas sempre com respeito à própria identidade na construção dos versos.
A princípio, no entanto, a obra do autor de O Exercício do Caos foi considerada estranha, principalmente dentro de sua própria província, e recebeu a pecha de hermética, indecifrável ou ininteligível. De maneira paradoxal, o mesmo autor cultuado como dono de versos geniais por críticos de altíssimo nível em diversos eventos no Brasil e no exterior era um quase desconhecido em sua própria terra. Essa distorção começou a ser corrigida quando alguns estudiosos locais começaram a perceber que a obra de Nauro Machado poderia transformar-se em um vasto campo para pesquisa e para análises.
Estudos como os de Maria de Nazaré Cassas de Lima Lobato (A Revelação de Nauro Machado), Ricardo Leão (Tradição e Ruptura: A Lírica Moderna de Nauro Machado) e Antônio Ailton (A Humanologia do Eterno Empenho) vieram a somar-se a outros nomes que já eram referência nos estudos literários e que admiravam a obra Naurena, como, por exemplo, Nelly Novaes Coelho, Assis Brasil, Carlos Nejar, Pedro Lyra, Fábio Lucas e Paschoal Motta, servindo como ponte de divulgação da obra do poeta e o público em geral.
Mesmo assim, com quase meia centena de livros publicados, dezenas de prêmios e horarias recebidas e uma carreira de sucesso, muitas pessoas que diariamente cruzam com ele pelas ruas de São Luís não sabem que aquele homem de olhos claros, aproximadamente 1,70m de altura, jeito calado, olhar enigmático e passos decididos, munido de seu guarda-chuva e de sua pasta cheia de livros é uma das maiores referências poéticas da atualidade. Então as pessoas passam como se passassem por um transeunte qualquer e nem imaginam que tiveram a honra de passar por um homem que leva em sua bagagem a fina flor da poesia.
Agora, em seu octogésimo aniversário, esse homem nascido no dia 02 de agosto de 1935, filho do senhor Torquato Rodrigues Machado e Maria de Lourdes Diniz, esposo da professora e também escritora Arlete Nogueira, pai do cineasta Frederico Machado, autor de inúmeros poemas e que enfrentou com galhardia enfermidades, indiferenças e até mesmo maledicências, ao atravessar calmamente a Praça, pode ter a certeza de que seu nome já faz parte da história de nossa literatura e de que a cidade que ele cantou em tantos versos se entranha mais e mais a cada segundo nas páginas de seus livros.

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