Blatter é vítima de protesto e confirma que deixará a Fifa em 2016
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Blatter é vítima de protesto e confirma que deixará a Fifa em 2016


Na entrevista para anunciar os detalhes da eleição de seu sucessor na presidência da Fifa, o suíço Joseph Blatter recebeu uma "chuva" de dólares de um comediante, negou-se a revelar seu salário e confirmou que não pretende disputar o cargo novamente.

O Comitê Executivo da Fifa, órgão formado por 27 cartolas, reuniu-se nesta segunda (20) e definiu que a eleição será no dia 26 de fevereiro de 2016.


Blatter confirmou que não vai concorrer depois de especulações de que teria recuado da decisão anunciada no último dia 2 de junho de deixar o cargo para o qual havia sido reeleito quatro dias antes.


"Eu não sou candidato. A Fifa terá um novo presidente. Não posso ser o novo presidente, porque eu sou o velho, não tão velho, mas sou um velho presidente", disse o dirigente.

Ele, no entanto, não aceita a expressão "renúncia": "Eu não abandonei minha posição, mas coloquei meu mandato à disposição". Sorrindo, o cartola afirmou que pretende seguir uma carreira de jornalista no rádio.
Blatter decidiu sair durante o ápice do escândalo de corrupção que levou à prisão de sete cartolas no dia 27 de maio, em Zurique, entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marin. "Foi algo que fiz pela Fifa, não por mim", afirmou o dirigente, que classificou de "tsunami" o que ocorreu com a Fifa nas últimas semanas. Ele disse que tomou a decisão em razão de "interferências políticas", incluindo de setores da mídia.



PROTESTO E CBF
Logo no começo da entrevista coletiva, no auditório na sede da Fifa, Blatter foi interrompido por um comediante inglês, identificado pelo nome artístico de Lee Nelson, que despejou cópias de dólares no dirigente. Ao abordar Blatter, o comediante fez alusão à compra da escolha da sede da Copa de 2026 e mencionou ser da delegação da Coreia do Norte.

Segundo a mídia britânica, seu nome verdadeiro é Simon Brodki e ele seria conhecido por tentar furar bloqueios de eventos para chamar a atenção.

O comediante foi retirado pelos seguranças, a pedido de Blatter, que deixou o local por dez minutos, enquanto seus assessores recolhiam as cédulas do chão e da mesa. 


Ao retornar, Blatter lamentou o episódio e chamou o manifestante de "mal educado". "Há gente que não conhece seu limite. Isso faz parte da vida", disse.

Blatter foi comedido ao comentar a ausência do presidente da CBF, Marco Polo del Nero, na reunião do Comitê Executivo. "Todos os membros do comitê são convidados a participar, e o presidente da CBF decidiu não vir, mas isso não influencia nas decisões tomadas pelo comitê", disse.
Um dos 27 membros do colegiado da Fifa, Del Nero evita deixar o Brasil desde que abandonou o congresso da Fifa em maio, após a prisão de sete cartolas, entre eles o seu antecessor, José Maria Marin. Sua ausência reflete num isolado da CBF dos bastidores da entidade.

REFORMAS

Além da eleição em 26 de fevereiro, a Fifa anunciou a criação de um comitê de força-tarefa formado por cartolas para estudar reformas a serem implementadas, entre elas a divulgação dos salários dos dirigentes da entidade.

Blatter, no entanto, recusou-se a revelar sua remuneração na entrevista desta segunda, argumentando que o assunto ainda será discutido e envolverá não só o presidente, mas todos os dirigentes que integram a Fifa.

Há pelo menos duas investigações em curso que envolvem a entidade. Uma está nos EUA, levou à prisão dos cartolas e envolve um esquema de mais de US$ 100 milhões (R$ 318 milhões) ligado a direitos de competições esportivas.

A outra é tocada pelo Ministério Público da Suíça, focada nas suspeitas de compra de votos para as Copas de 2018 (Rússia) e 2022 (Qatar).

CANDIDATOS
Com a data da eleição escolhida, começa agora a corrida para a definição dos candidatos.

Adversária de Blatter, a Uefa, que dirige o futebol europeu, quer aproveitar a chance para retomar o poder perdido em 1974, quando o brasileiro João Havelange tirou o inglês Stanley Rous do cargo que ocupava desde 1961.

O presidente da Uefa, o francês Michel Platini, é sempre uma aposta, mas ele pode abrir mão se surgir uma força capaz de agregar entre as 209 federações filiadas à Fifa com direito a voto.


Em junho, o ex-jogador Zico afirmou que seria candidato à presidência da Fifa. "Convoquei essa coletiva para ratificar minha decisão de ser candidato. Eu me sinto capacitado para isso", disse.

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