60% dos professores da UFMA já aderiram à paralisação das atividades
Greve segue movimento nacional e foi
iniciada em São Luís no dia 10 deste mês e a principal reivindicação é mais
investimentos na educação superior; servidores técnico administrativos também
estão em greve por tempo indeterminado
Professores reunidos ontem na sede da Apruma para
avaliar greve e definir as novas ações (Foto: Flora Dolores)
Pelo menos 60% do corpo docente da
Universidade Federal do Maranhão (UFMA) já aderiram à paralisação das atividades
por tempo indeterminado. A greve foi deflagrada no dia 10 deste mês e segue um
movimento nacional contra os cortes de recursos das instituições federais de
ensino. Não há previsão para o encerramento da paralisação. Servidores técnicos
administrativos também estão em greve.
De acordo com a Associação de
Professores da Universidade Federal do Maranhão (Apruma), desde 2013 o Governo
Federal não cumpre acordos assinados e ainda admite não ter nenhuma proposta
efetiva para apresentar à pauta dos docentes federais. Dos oito campi da UFMA,
cinco já aderiram ao movimento. Na Cidade Universitária, em São Luís, alguns
professores optaram por concluir o semestre, mesmo decretado o movimento
paredista.
Nós temos pouco tempo para pressionar
o governo, pois o fechamento do orçamento geral da União para 2016 é no dia 20
de julho e a categoria precisa que as reivindicações sejam atendidas e
ajustadas antes desta dataAntônio
Gonçalves, presidente da Apruma
A última greve decretada na UFMA foi
em 2012 e se estendeu por 120 dias. Segundo Antônio Gonçalves, presidente da
Apruma, de todas as reivindicações feitas na época, apenas o reajuste salarial
foi atendido, mas ainda de maneira insatisfatória, pois hoje, com o atual
cenário econômico, os professores continuam ganhando menos do que em 2012. “Nós
estamos acumulando uma perda real de 20% nos salários de 2012 para cá e, com a
expansão das universidades, a atividade docente está cada vez mais precarizada,
pois a estrutura oferecida não acompanha esse crescimento”, afirmou.
Pauta – Os profissionais pressionam o
Governo Federal a ampliar os investimentos na educação. Entre as
reivindicações, estão melhores condições de trabalho, garantia de financiamento
público estável e suficiente às instituições, abertura de concursos públicos e
a reestruturação da carreira. Já a pauta dos técnicos administrativos inclui
reposição salarial de 27,3%, aprimoramento da carreira, com correção das
distorções, piso de três salários mínimos e fim da terceirização.
“Nós temos pouco tempo para
pressionar o governo, pois o fechamento do orçamento geral da União para 2016
fecha no dia 20 de julho e a categoria precisa que as reivindicações sejam
atendidas e ajustadas antes desta data. Depois que segue para a votação no
Senado, fica mais difícil obtermos êxito”, assinalou Antônio Gonçalves.
Na pauta local dos docentes da UFMA
está a revogação imediata da Resolução nº 61, que determina os critérios para
que os profissionais consigam ascender na carreira. “Hoje temos 13 níveis para
ascender na carreira e está cada vez mais difícil alcançar a pontuação para
essa progressão, que envolve desenvolvimento de atividades não só no ensino,
mas também na pesquisa, extensão e gestão. Por isso, são pouquíssimos os
professores que conseguem chegar ao topo da carreira”, destacou o presidente da
Apruma.
Amanhã, a Apruma deve prosseguir com
sua agenda de mobilizações, com a realização de uma assembleia para atualizar a
pauta local, às 14h, na UFMA. Já no dia 25 deste mês, a categoria também deve
aderir ao Dia Nacional de Paralisação.
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