Morre o ator Agildo Ribeiro, aos 86 anos
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Morre o ator Agildo Ribeiro, aos 86 anos

O humorista Agildo Ribeiro, como o personagem professor, em cena do programa "Zorra Total", da Rede Globo, em 2013

Conhecido como "Capitão do Riso", o comediante fez história em programas de humor na TV;

Nascido em 26 de abril de 1932, no Rio de Janeiro, Agildo vinha de uma família de políticos e militares. Seu pai, o oficial do exército Agildo Barata Ribeiro (1905-1968), foi obrigado a se exilar com a família em Portugal depois do fim da Revolução Constitucionalista de 1932 e se tornaria vereador pelo PCB em 1947. O tio avô do comediante, Cândido Barata Ribeiro, foi o primeiro prefeito do Distrito Federal —na época, a cidade do Rio de Janeiro. 

Agildo iniciou a carreira no teatro e foi o primeiro ator a interpretar João Grilo, o personagem central da peça “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, em 1957.
Foi também um dos primeiros artistas contratados da Globo, em 1965, e fez longa carreira na emissora, participando de programas de auditório, fazendo vinhetas ao vivo, novelas e diversos quadros humorísticos —como “Mister Show” (1969-70), ao lado do ratinho Topo Gigio, e “Escolinha do Professor Raimundo”, com Chico Anysio.
 
O humorista Agildo Ribeiro
O humorista Agildo Ribeiro - Sérgio Andrade/Folhapress
Nos últimos anos, esteve no elenco de “Zorra”, humorístico da Globo resultado da reformulação do programa original “Zorra Total”, que Agildo integrou desde a criação em 1999. 
Em entrevista em 2008, o comediante disse: "Costumo dizer que é muito mais fácil você fazer um papel sério do que fazer um papel cômico, um papel engraçado. Toda semana eu tenho que fazer gracinhas no 'Zorra', eu tenho que criar, tenho que puxar".
“Fizemos em 2009 um quadro no Zorra Total, em que ele interpretava um mafioso italiano que tinha um filho afeminado, que eu interpretava. O protagonismo era do Agildo, mas ele dividiu comigo de forma muito carinhosa”, lembrou o comediante Marcos Veras.
Nas décadas de 80 e 90, Agildo tem passagem por outras emissoras, em programas como “Agildo no País das Maravilhas” (1987), na TV Bandeirantes, e “Cabaré do Barata” (1989), na TV Manchete. 
O comediante participou também do “Praça Brasil”, criado pela Band em 1987 e que daria origem a “A Praça é Nossa”, do SBT, também com participação de Agildo. Ainda na emissora de Silvio Santos, ele participou do humorístico “Não Pergunta que Eu Respondo” (1993).
Além de televisão, o ator atuou em mais de 30 filmes, como “O Pai do Povo” (1976), dirigido por Jô Soares —cujo romance “O Xangô de Baker Street” teve adaptação cinematográfica em 2001 com Agildo no elenco.
Seus últimos trabalhos no cinema foram “O Homem do Ano” (2003), de José Henrique Fonseca, e “A Casa da Mãe Joana” (2008), de Hugo Carvana.
Sobre seu personagem no último longa, o ator afirmou, com sua ousadia habitual: “O comendador é uma bichona! Que teve um espasmo e ficou preso numa cadeira de rodas, mas ele continua com a mania dos garotões dele”.
“O Agildo é da linha dos super-heróis da comédia brasileira. Tenho certeza que os grandes mestres do humor estão recebendo Agildo”, declarou o ator e dublador Lucio Mauro Filho. 
Agildo deixa um filho, de quem descobriu ser pai apenas em 2013, quando tinha 81 e o filho 47.
O velório será neste domingo (29) a partir das 10h, na capela 1 do Memorial do Carmo, no Rio, seguido de cerimônia de cremação restrita para a família.

VEJA CRONOLOGIA E SELEÇÃO DE TRABALHOS DE AGILDO RIBEIRO NO CINEMA E NA TV:

1932
Nasce no Rio de Janeiro, em uma família de políticos e militares. É levado pela família para Portugal, por força de exílio imposto ao seu pai após prisão na Revolução Constitucionalista de 1932.
1934
Volta com a família para o Rio de Janeiro.
1953
Agildo sai do colégio militar direto para o Teatro do Estudante, onde atua em sua primeira peça, “Joãozinho Anda pra Trás”, ao lado de Consuelo Leandro, Oswaldo Loureiro, Glauce Rocha e Sérgio Cardoso. 
1955
Estreia no cinema, com “Angu de Caroço”, de Euripides Ramos. 
1957 
Ganha notoriedade no papel de João Grilo em “O Auto da Compadecida” (1957), de Ariano Suassuna, que lhe rende convite para trabalhar na televisão. 
1965
Junto com Marília Pêra, com quem era casado na época, e Augusto César Vannucci, Agildo é um dos primeiros artistas contratados pela Globo, inaugurada em abril de 1965, onde fazia também pequenas vinhetas ao vivo, anunciando a programação da emissora. 
1969
Apresenta, ao lado do ratinho falante Topo Gigio, o programa de auditório “Mister Show”, que o tornou conhecido no Brasil inteiro.
1976
Participa de programas humorísticos como “Planeta dos Homens” (1976-82), com textos de Jô Soares, Luis Fernando Veríssimo e outros. Atua no longa “O Pai do Povo” (1976), dirigido por Jô Soares —mais tarde integraria também o elenco de “O Xangô de Baker Street” (2001), adaptação do livro homônimo de Jô Soares, dirigido por Miguel Faria Jr.
1983
Protagoniza o humorístico “A Festa é Nossa”, sob a direção de Lúcio Mauro, que reunia um elenco de humoristas, atores e modelos, e contava com a participação especial de artistas plásticos, atletas e políticos.
1984
Sai da Globo para se dedicar ao teatro e passa por diversas emissoras na próxima década: sua primeira novela na própria Globo (“De Quina pra Lua”, 1985), passa dois anos na TV Bandeirantes (“Agildo no País das Maravilhas”, 1987), depois vai para a TV Manchete (“Cabaré do Barata”, 1989), e trabalha também no SBT na década de 1990 (“Não Pergunta que Eu Respondo”, 1993).
1994
Muda-se para Portugal, onde apresenta o programa “Isto é o Agildo”, no canal RTP 1. 
1999
Aceita convite de Chico Anysio para participar de “Zorra Total”, ao lado de Claudia Jimenez, Denise Fraga e Pedro Cardoso. Participava, ainda, de “Escolinha do Professor Raimundo”.
2004
Publica, com Paulo Silvino, o livro de piadas “Dose Dupla”, pela Ediouro. 
2005
Voltou a atuar em telenovelas, com “A Lua Me Disse”, e participou de vários episódios da segunda versão do “Sítio do Picapau Amarelo”.
2007
Aos 75 anos de idade e 50 de carreira, tem lançada sua biografia “Agildo Ribeiro: o Capitão do Riso” (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).
2008
Faz seu último trabalho no cinema com “A Casa da Mãe Joana” (2008), de Hugo Carvana.
2010
Integra o elenco da novela “Escrito nas Estrelas” e da minissérie “As Cariocas”, de Daniel Filho.
2013  
Aos 81, descobre que é pai de um homem de 47 anos. Em seus cinco casamentos, nunca teve filhos.
2015
Agildo integra a reformulação do “Zorra Total”, que passa a se chamar apenas “Zorra”. 
2018
Morre em sua residência no Rio de Janeiro, vítima de problemas cardíacos.
Trabalhos em Cinema
"A Casa da Mãe Joana" (2008)
"O Homem do Ano" (2003)
"O Xangô de Baker Street" (2001)
"Cabaré do Barata" (1989) - como diretor e roteirista
"Gugu, O Bom de Cama" (1979)
"O Pai do Povo" (1976)
"O Sexualista" (1975)
"O Comprador de Fazendas" (1974)
"Café na Cama" (1973)
"Divórcio à Brasileira" (1973)
"Tô na Tua, Ô Bicho" (1971)
"Como Ganhar na Loteria sem Perder a Esportiva" (1971)
"A Cama Ao Alcance de Todos" (1969)
"Como Matar um Playboy" (1968)
"A Espiã Que Entrou em Fria" (1967)
"Na Mira do Assassino" (1967)
"Jerry - A Grande Parada" (1967)
"Furia à Bahia pour OSS 117" (1965)
"Pluft, o Fantasminha" (1965)
"Êsse Mundo é Meu" (1964)
"Crime no Sacopã" (1963)
"Socia de Alcoba" (1962)
"Tocaia no Asfalto" (1962)
"E Eles Não Voltaram" (1960)
"Esse Rio Que Eu Amo" (1960)
"Meus Amores no Rio" (1959)
"Aí Vêm os Cadetes" (1959)
"Esse Milhão É Meu" (1959)
"Matemática Zero, Amor Dez" (1958)
"Amor Para Três" (1958)
"Fuzileiro do Amor" (1956)
"O Feijão é Nosso" (1955)
"O Grande Pintor" (1955)
"Angu de Caroço" (1955)
Seleção de trabalhos na TV
"Zorra" (2015) 
"Sítio do Pica-Pau Amarelo" (2007)
"A Lua Me Disse" (2005) 
"Zorra Total" (1999-2015) 
"Mandacaru" (1997)
"Isto É o Agildo" (1994-1995)
"De Quina pra Lua" (1985)
"Humor Livre" (1984)
"A Festa É Nossa" (1983)
"Estúdio A... Gildo" (1982)
"O Homem Que Veio do Céu" (1978)
"Planeta dos Homens" (1976)
"Satiricom" (1973)
"Chico City" (1973)
"Uau, a Companhia" (1972)
"T.N.T." (1965)




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