Morte de Aldo Leite abala a classe artística de São Luís
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Morte de Aldo Leite abala a classe artística de São Luís

Familiares, amigos e admiradores velaram o corpo de Aldo Leite durante todo o sábado na sede da Academia Maranhense de Letras

Ator, diretor, dramaturgo e professor faleceu na manhã de sábado; o corpo foi velado durante todo o dia na Academia Maranhense de Letras e será cremado; artista recebeu muitas homenagens pelo rico trabalho desenvolvido no teatro

O fim de semana foi de despedida para familiares e amigos de Aldo Leite. O ator, diretor, dramaturgo e professor faleceu na manhã de sábado, dia 5. Ele tinha 75 anos e dedicou sua vida ao teatro maranhense. O corpo do dramaturgo foi velado na Academia Maranhense de Letras (AML) durante todo o sábado e será cremado. Importante nome do teatro maranhense, ele morreu por volta das 7h no Hospital Centro Médico, onde estava internado desde o dia 20 de outubro após ser encontrado desmaiado em seu apartamento.


A família de Aldo Leite não divulgou a causa da morte do dramaturgo. Seu irmão, Hélio Leite, atribuiu o desmaio que levou Aldo Leite para o hospital à emoção da estreia “Rainha da Zona”, escrita por ele e dirigida pelo amigo Tácito Borralho. A montagem ficou em cartaz no Teatro João do Vale nos dias 20, 21 e 22 de outubro. O dramaturgo estava internado depois de ter sido encontrado caído em seu apartamento no mesmo dia em que estreou a montagem.

Ainda segundo Hélio Leite, o irmão esteve em Penalva, sua cidade natal, meses antes da internação. “Nós éramos 13 irmãos. Com a ida de Aldo, agora somos cinco. Nossa família é oriunda de Penalva e ele recentemente passou cerca de um mês e meio lá. Foi um momento de muita conversa entre nós”, recordou.

Aldo Leite recebeu inúmeras homenagens. Seus amigos e companheiros de teatro contaram histórias da sua convivência com o dramaturgo. Apesar da tristeza, o momento foi também de lembranças e de celebração do legado deixado pelo artista.

O ator e diretor Tácito Borralho falou da longa amizade e parceria que os dois mantiveram ao longo da vida. “Aldo e eu sempre fomos amigos por muito tempo, como irmãos, e sempre tivemos uma harmonia criativa, o que nos levou a fazer muitas coisas juntos. Chegamos a interpretar personagens de peças um do outro. Eu o dirigi, mas o engraçado é que ele nunca me dirigiu. Fiz peças dele dirigidas por Reinaldo Faray. E nós também sempre éramos chamados para ministrar cursos juntos. Posso dizer que tivemos uma parceria criativa de muita harmonia”, disse.

Turma do Quinto
O também ator Domingos Tourinhos falou dos aprendizados que teve com o amigo. “Nossos caminhos se cruzaram no teatro. Tivemos momentos muito bons também na Turma do Quinto, escola de samba da qual foi carnavalesco e na qual produzia a Ala dos Artistas, que congregava a todos nós do teatro. Essa ala era muito bem elaborada e ele tinha um senso estético muito apurado. Lá eu aprendi muito com ele, não apenas através dos seus traços, mas também com sua percepção estética e a partir disso integrei o elenco das peças de Aldo. que tinha uma dramaturgia universal”, lembrou.

César Boaes, ator, contou que Aldo Leite foi uma inspiração. “Aldo foi uma grande inspiração para mim. Dividi o palco e o camarim com ele durante a peça Marat Sade. Eu fazia a maquiagem dele e nós criamos um laço afetivo e durante este período ele me dava conselhos e me contava suas historias de vida. Na minha apresentação de hoje [sábado] subirei ao palco muito mais emocionado”, afirmou.

Vida

Aldo de Jesus Muniz Leite nasceu em Penalva, cidade maranhense a 245 quilômetros de São Luís, em 23 de agosto de 1941. Graduou-se em Teatro pela Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo (ECA/USP), em 1976. Na mesma instituição obteve o grau de Mestre em Teatro, no ano de 1989. Foi professor adjunto do Departamento de Artes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Assinou numerosas peças teatrais entre as quais "Tempo de Espera", sua obra mais conhecida no Brasil e no exterior, além de receber os mais significativos prêmios nacionais e internacionais dedicados às artes cênicas. Apresentou-se também, sob sua direção e com elenco maranhense com a peça Tempo de Espera, na Europa, especificamente, França, Holanda e Alemanha, constituindo-se em um sucesso de público e crítica.

Em 2007, esteve em Coimbra, Portugal, para participar da estreia de "Tempo de Espera" por um grupo teatral português. Entre sua vasta produção literária destacam-se ainda, entre outras peças, "Aves de Arribação", "O Pleito", "O Castigo do Santo", "A Arca de Noé", "O Chá das Quintas" e "A Rainha da Zona", estas últimas premiadas no Concurso Literário Cidade de São Luís - Categoria Teatro, em 1999 e 2005.

Durante a adolescência, em São Luís, conheceu Mary e Ubiratan Teixeira, entrou para o grupo teatral do Mestre Bira e participou da montagem de "Simbita e o Dragão", de Lúcia Benedetti, no Teatro Arthur Azevedo.

Grupo Tema

Nos anos 1960, conheceu Reynaldo Faray, que o convidou para participar do elenco de "Branca de Neve e os Sete Anos", então produzida pelo Clube das Mães. A partir daí participou ativamente do Grupo Tema (Teatro Experimental do Maranhão), trabalhando como ator em espetáculos infantis, infanto-juvenis e adultos.
Prestou vestibular para o Curso de Jornalismo, uma parceria da Secretaria de Educação do Estado e da USP, pois a UFMA ainda não tinha o curso na sua grade curricular. Os professores do curso vinham de São Paulo, entre eles, Miroel Silveira e Alberto Guzik, do departamento de Teatro da USP, que logo após o curso, foram assistir à montagem de “O Tema Conta Zumbi”, de Gianfrancesco Guarnieri, ao final da apresentação e aconselhou Aldo a mudar para a Escola de Comunicação e Artes (ECA) e fazer o Curso de Bacharel em Teatro, em São Paulo.

Ainda no Curso da USP em 1975, Aldo veio a São Luís convidado por Reynaldo Faray para participar do elenco de "Quem Casa, quer Casa", de Martins Pena, e viajar pelo interior do estado apresentando o espetáculo para alunos do Mobral. Dessa experiência surgiu a idéia de escrever "Tempo de Espera", a partir das pesquisas realizadas com os alunos do Mobral e da realidade social das pessoas das cidades por onde o grupo passava.

Com a conclusão do curso em São Paulo, Aldo voltou para São Luís, em 1977, e foi contratado pela UFMA para dirigir o Grupo Gangorra, no qual desenvolveu intensa atividade artístico-cultural e o Grupo Mutirão.

Em 2014, o bloco tradicional Os Indomáveis levou para passarela justamente Aldo Leite como tema com o samba 'O indomável cavaleiro do destino ou os sete encontros do aventureiro corre-terra'.
Aldo Leite no teatro
Direção
1975- Tempo de Espera, de Aldo Leite (Grupo Mutirão)
1977- Em Moeda Corrente do País, de Abílio Pereira de Almeida (Grupo Gangorra)
1978- Pedreiras das Almas, de Jorge Andrade (Grupo Gangorra)
1979- Aluga-se uma Barriga. de Jurandir Pereira (Grupo Gangorra)
1979- ABC da Cultura Maranhense, de Aldo Leite (Grupo Gangorra)
1979- Os Saltimbancos, de Chico Buarque (Grupo Mutirão e Grupo Gangorra)
1980- Os Perseguidos, de João Mohana (Grupo Mutirão e Grupo Gangorra)
1980- O Gato Errado, de Fernando Strático (Grupo Gangorra)
1981- Aves de Arribação, de Aldo Leite (Grupo Mutirão e Grupo Gangorra)
1986- A Casa de Bernarda Alba, de Federico Garcia Lorca (Grupo Mutirão e Grupo Gangorra)
1987- Cenas de um Casamento, vários autores (Grupo Gangorra)
1987- O Tribunal dos Divórcios, de Cervantes (Grupo Gangorra)
1987- O Defunto, de René Obaldia (Grupo Gangorra)
1999- Um Raio de Luar, de Aldo Leite (Grupo Gangorra)
2009- A Consulta, de Artur Azevedo
Atuação
Branca de Neve e os Sete Anões
Iaiá Boneca
Socayte em Baby-dool, de Henrique Pongetti – Grupo Tema
O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues – Grupo Tema
A Revolução do Beatos, de Dias Gomes – Grupo Tema
Tema Conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri – Grupo Tema
Zoo Story, de Edward Albee, direção de FacuryHeluy - Grupo Tema
Em Tempo do Amor ao Próximo, de Artur Azevedo – Grupo Tema
A Via Sacra, de Henri Ghéon – Grupo Tema
Os Mistérios do Sexo, de Coelho Neto – Grupo Tema
Quem Casa quer Casa, de Martins Pena – Grupo Tema
Por Causa de Inês, de João Mohana – Grupo Tema
A Casa de Orates, de Artur Azevedo – Grupo Tema
A Consulta, de Artur Azevedo – Grupo Tema
Cazumbá, de Américo Azevedo Neto – Grupo Cazumbá
Simbita e o Dragão, de Lúcia Benedetti, direção de Ubiratan Teixeira
O Médico à Força, de Molière, direção de Ubiratan Teixeira
O Processo de Jesus, de Diego Fabri, direção de Ubiratan Teixeira
O Mártir do Calvário, de Eduardo Cucena – Cia. Cecílio Sá
Maria Arcângela, de Aldo Leite – Grupo Tema
O Cavaleiro do Destino, de Tácito Borralho e Josias Sobrinho, direção de Tácito Borralho – Coteatro
Marat Sade, de Peter Schaffer, direção de Marcelo Flexa – Coteatro
El Rey Dom Sebastião. texto e direção de Tácito Borralho – Coteatro
A Viagem, de Carlos Queiroz Teles, direção de Celso Nunes
Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto
Lúcia Elétrica de Oliveira, texto e direção de Cláudia de Castro
Cinema
A Faca e o Rio, de Nelson Pereira dos Santos
Carlota Joaquina, de Carla Camurati
“Aldo e eu sempre fomos amigos por muito tempo, como irmãos, e sempre tivemos uma harmonia criativa, o que nos levou a fazer muitas coisas juntos”, Tácito Borralho
“Nossos caminhos se cruzaram no teatro. Tivemos momentos muito bons também na Turma do Quinto, escola de samba da qual foi carnavalesco e na qual produzia a Ala dos Artistas, que congregava a todos nós do teatro”, Domingos Tourinho
“Aldo foi uma grande inspiração para mim. Dividi o palco e o camarim com ele durante a peça Marat Sade. Eu fazia a maquiagem dele e nós criamos um laço afetivo e durante este período ele me dava conselhos e me contava suas historias de vida”, César Boaes

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