Músicos fazem show em homenagem a Elis Regina
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Músicos fazem show em homenagem a Elis Regina

JULIO MARIA - O ESTADO DE S. PAULO
19 Maio 2015 | 03h 00

Gil, Fagner, Renato Teixeira, João Bosco e Ivan Lins se reúnem em tributo à Pimentinha

Os homens de Elis saíam de todo canto. Caminhavam léguas com fitas cassete na bolsa e violão debaixo do braço para serem recebidos por ela no camarim dos teatros e no sofá de suas casas. Elis era a Meca. Eles precisavam daquela voz carimbando o passaporte para pisarem em território sagrado. Quando chegavam, tocavam a campainha e tremiam. Cantar diante do silêncio de Elis não era para os fracos. Chico Buarque travou e a voz não saiu. Alceu Valença chegou no dia errado. Baden e Paulo César Pinheiro apostaram em uma música sincera demais sobre a dor de uma separação. E Milton Nascimento cantou o que podia para se tornar um dos escolhidos.

Elis teve a seu favor o fato de viver à época de uma das maiores safras de compositores da música brasileira. Ou seriam os compositores que deveriam agradecer ao fato de terem existido à época de Elis? Ivan Lins vai mais longe. Acredita que a simples presença de Elis fez com que o nível da composição subisse a parâmetros inéditos por uma questão onírica: ao sonharem que estavam sendo gravados por ela, os compositores retiravam seus corações e enviavam a Elis em uma bandeja.
No telão. Imagens raras ou inéditas de Elis serão projetadas em três telas
No telão. Imagens raras ou inéditas de Elis serão projetadas em três telas
Alguns de seus grandes fornecedores estarão no palco do Auditório Celso Furtado, sábado e domingo, no Anhembi, para uma homenagem aos 70 anos que Elis Regina teria completado no último dia 17 de março. Gilberto Gil, Fagner, Ivan Lins, João Bosco, Renato Teixeira e Jair Oliveira, representando o pai, Jair Rodrigues, morto em maio do ano passado, vão realizar o que deve ser o maior tributo a Elis desde sua partida, em 19 de janeiro de 1982. A apresentação será uma curiosa reedição da marca Miele/Bôscoli. João Marcello, filho de Elis com Ronaldo Bôscoli, morto em 1994, vai estar ao lado do produtor Miele, que trabalhou com Ronaldo em espetáculos e especiais de TV de Elis. Algumas apresentações serão precedidas por casos contados pelos dois. Outras, por imagens em telões instalados dois nas laterais e um ao fundo do palco. Haverá números em voz e violão e outros com o acompanhamento de uma banda cheia, com teclado, guitarra, baixo, bateria, metais e percussão.
A presença de Elis será reforçada com o efeito dos áudios e vídeos raros ou inéditos restaurados para o show. Jair Oliveira vai tocar violão no momento em que Elis e Jair Rodrigues cantarem, no vídeo, o famoso pot-pourri de sambas lançados no álbum Dois na Bossa, de 1965. Outro momento já registrado como antológico deverá ser o reencontro entre Fagner e a madrinha que o lançou. Os dois “dividirão vozes” para cantar Mucuripe, que Elis gravou em 1972. “As pessoas vão ver Elis em um tamanho que elas não estão acostumadas a ver. As imagens de hoje são exibidas na TV ou nas telas de computadores. Imagine o efeito daquela voz saindo de caixas acústicas grandes e as cenas, de um telão de 25 metros quadrados”, diz João Marcello. O início será feito com um dos maiores sucessos de Elis soando na sala, sem acompanhamento, apenas com sua voz a capela.
Miele diz estar com os exames cardiológicos em dia para suportar a carga emocional. Ele já aparece representado na montagem Elis – A Musical, no também musical sobre Wilson Simonal e, em breve, no filme sobre a vida de Elis, dirigido por Hugo Prata. “Elis Regina paira sobre o Brasil, é algo impressionante.”
Os ingressos partem de R$ 125 (meia-entrada no setor B superior) e chegam a R$ 600 na área mais privilegiada, um preço salgado. “Eu decidi fazer tudo sem lei de incentivo. Prefiro cobrar mais caro a ter de usar um modelo de captação importante, mas que não é visto com simpatia. E eu não queria ver o nome da minha mãe envolvido em acusações do tipo ‘João capta não sei quantos milhões para fazer shows para Elis’. É a festa de seus 70 anos e eu quero preservá-la. Não foi bacana o que a Maria Bethânia passou” diz ele, referindo-se ao episódio de 2011, em que a cantora baiana foi autorizada a captar R$ 1,3 milhão para fazer um site de poesias.
Dos nomes que farão falta, o de Milton Nascimento é o maior deles. Sua ausência se dá sobretudo por estar o cantor em um momento de recuperação física e por incompatibilidade de cachê, segundo João Marcello. Maria Rita, diz João, já havia feito sua homenagem à mãe em uma turnê pelo País. Ela agradeceu o convite e informou que preferia não participar. O cantor Pedro Mariano alegou estar envolvido com outro projeto e não ter agenda. 
Provável set list
Abertura. A voz de Elis vai soar sozinha no início do show, sem acompanhamento, cantando uma de suas gravações mais comoventes
Jair Oliveira. O compositor vai representar o pai, Jair Rodrigues, tocando violão enquanto os telões exibirão Elis e Jair cantando o pout pourri de sambas da época do show e do LP Dois na Bossa, de 1965
Renato Teixeira. RomariaSentimental Eu Fico
Fagner. Noves ForaMucuripe
João Bosco. O Bêbado e a EquilibristaO Mestre Sala dos Mares
Ivan Lins. MadalenaAos Nossos Filhos, Me Deixa Em Paz
ELIS 70 ANOS
Anhembi. Grande Auditório Celso Furtado. Rua Olavo Fontoura, 1.209, 3674-9461. Sáb., às 21 h; dom., às 20 h. R$ 125/R$ 600.

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