Jornalismo e literatura em publicação da jornalista Clarissa Carramilo
SÃO LUÍS- Com narrativa
ambientada em São Luís, a escritora, jornalista e mestre em Ciências Sociais
Clarissa Carramilo lançou na última quarta-feira, 5 de setembro, na Livraria Leitura do São Luís Shopping, o
livro “Cidade Espanto”, romance sobre a trajetória de Antonela, uma jovem
repórter empregada por um site de notícias e que trabalha fazendo a crônica
diária da capital maranhense. Além da apresentação da obra, haverá exposição
fotográfica assinada pela fotógrafa Elise Madeira e uma roda de conversa sobre
o tema “Visões sobre Cidade Espanto: jornalismo e literatura contemporânea no
Maranhão”, com a participação da escritora Camila Chaves e da jornalista Bruna
Castelo Branco (Jornal O
Estado).
“Escrevi
o livro aos poucos, entre 2012 e 2016, e em 2017 me ocupei mais na finalização,
depois que tive a proposta aprovada pelo edital de apoio à publicação de obras
literárias da Fapema. Em resumo, foi um exercício que eu tinha de escrever
alguns fatos que eu cobria com uma narrativa mais literária, um movimento
pessoal. Algumas das histórias são referências ao factual jornalístico ocorrido
entre os anos que trabalhei como redatora/repórter, mas descritos de forma
ficcional e até com alguns aspectos fantásticos. Há alguns conflitos,
inquietações transferidas para as personagens, mas não é uma história
autobiográfica. Há uma distância enorme entre uma vida real e simples como a
minha e uma trajetória fictícia e em alguns momentos bem complexa como a de
Antonela, por exemplo. Mas há muito de nós em tudo que escrevemos, seja na
escrita jornalística, acadêmica ou mesmo literária”, diz a autora.
No
livro, com 94 páginas, a cada pauta recebida, Antonela apresenta a cidade como
uma personagem, em todos os seus matizes. Unindo crônica e poesia, a autora
convida o leitor a embarcar em uma jornada. “Há muito de nós em tudo que
criamos. Existem pontos em comum, inquietações transferidas para a
protagonista, mas há uma enorme distância entre uma vida real e simples e a de
uma personagem complexa”, explica.
As
histórias vão da socialite deslumbrada à mendiga que espera por um barco que
nunca chega ao cais; de um crime num bordel à identidade secreta da autora de
um blog de sucesso. Da dor à festa, a protagonista leva o leitor a uma viagem
pela capital maranhense. Inicialmente, tudo o que leitor sabe é que ela leva
consigo uma grande perda, de dimensões titânicas, e que molda cada passo dado
por ela dali em diante. Segundo a escritora, trata-se de um trabalho
desenvolvido ao longo de cinco anos. “Começou como um exercício ocasional,
movido pelo receio que eu tinha de perder a habilidade de escrever diferente do
padrão jornalístico exigido quando trabalhava na redação do portal G1
Maranhão”, conta.
De
acordo com Clarissa, a ideia era retratar a cidade em seus cenários
contemporâneos e ela até tentou fazer isso, mas a caricatura dos personagens
cumpre esse papel também. “Cada capítulo é o nome de uma personagem e lugar que
atravessa a trajetória da protagonista e a afeta direta ou indiretamente,
mostrando um pouco da São Luís atual e os atores que a formam enquanto
sociedade”, explica.
Roda - Clarissa Carramilo convidou a
jornalista Bruna Castelo Branco e a Relações Públicas Camila Chaves para fazer
uma análise da obra, o que enriquecerá ainda mais o evento. Bruna é
especialista em Jornalismo Cultural e mestranda em Cultura e Sociedade pela
Universidade Federal do Maranhão. Atua como jornalista cultural há 11 anos e,
recentemente, assinou a pesquisa e argumento do documentário “José Louzeiro –
Depois da Luta”, dirigido pela cineasta Maria Thereza Soares.
Camila
Chaves, por sua vez, publicou o primeiro conto na coletânea “Farol” e este ano,
teve textos selecionados para a Coletânea Literária LGBT do Ceará, para a
Coletânea de Escritoras da Editora Calamares e para o Programa de Aprendizagem
na Idade Certa. Integra o Ateliê de Narrativas Socorro Acioli e o Coletivo
Delirantes de Escritoras e Escritores.
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