Del Nero compra imóvel de luxo de parceiro da CBF por R$ 5,2 mi
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Del Nero compra imóvel de luxo de parceiro da CBF por R$ 5,2 mi

Cobertura é semelhante a outra que o dirigente havia adquirido um ano antes por R$ 1,6 mi

SÉRGIO RANGELDO RIO- FOLHA DE SÃO PAULO 

O novo presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, comprou de um parceiro comercial da entidade, o empresário Wagner Abrahão, uma cobertura na Barra da Tijuca, área nobre do Rio, por R$ 5,2 milhões --um ano antes, ele comprara imóvel semelhante no local por R$ 1,6 milhão.

A negociação foi fechada em fevereiro deste ano. O primeiro imóvel --uma cobertura dúplex, que havia sido adquirida em maio de 2014 e tem um metro quadrado a menos-- foi dado como parte de pagamento do novo imóvel por R$ 400 mil, mais saldo devedor, não revelado.

O R$ 1,6 milhão pago pelo cartola em 2014 estava aquém do valor de mercado, que era de cerca de R$ 5 milhões.


As coberturas ficam no condomínio Les Residences Saint Tropez, um dos endereços mais caros do Rio, localizado na orla. O condomínio tem forte esquema de segurança privada, parque aquático, quadras e academia.

Abrahão e a CBF são parceiros comerciais há mais de 20 anos. O Grupo Águia, do qual ele é sócio majoritário, faz todas as viagens da seleção e dos clubes que disputam as Séries B e C do Brasileiro, entre outros negócios.
Tanto Del Nero quanto Abrahão negaram haver conflito ético na negociação (leia texto nesta página).

Advogados ouvidos pela Folha classificaram a compra dos dois imóveis como "atípica" e consideraram que a operação pode ter sido feita para driblar o fisco.
Na última semana, Abrahão foi homenageado com a comenda João Havelange, a maior honraria do futebol brasileiro, segundo a CBF.

Abrahão também é amigo do ex-presidente Ricardo Teixeira há mais de 20 anos.

OS IMÓVEIS

O primeiro dúplex adquirido pelo cartola fica no bloco 6 da avenida Lúcio Costa e tem 261 m? e quatro vagas de garagem.

Nove meses depois, em fevereiro de 2015, Del Nero comprou o segundo dúplex no mesmo condomínio, no bloco 4, então residência de Abrahão, com também quatro vagas e 262 m?.

O imóvel foi comprado por Del Nero da JAT Administração de Bens Ltda., empresa dos filhos de Abrahão, que está registrada no mesmo endereço do Grupo Águia.
Nos dois negócios, Del Nero adquiriu os apartamentos junto com um dos seus filhos, Marco Polo Del Nero Filho --o dirigente é dono de 70%.

Na compra do apartamento da família Abrahão, Del Nero e seu filho pagaram R$ 4,36 milhões divididos em 12 parcelas, de agosto do ano passado até janeiro, incluindo o débito de R$ 410 mil do primeiro apartamento. O restante (R$ 840 mil) foi parcelado em 12 cotas de R$ 70 mil a partir de fevereiro.

O primeiro dúplex no condomínio foi comprado pelo presidente da CBF da empresária Lilian Cristina Martins Maia, ex-presidente da escola de samba Estácio de Sá.

Ela teve seu sigilo fiscal e bancário quebrado pela Justiça do Rio na Operação Hurricane em 2007, que investigou uma quadrilha que explorava caça-níqueis no Rio.

Segundo a escritura do imóvel, Del Nero e seu filho pagaram R$ 200 mil na ocasião e parcelaram o restante (R$ 1,4 milhão) em 20 cotas mensais a partir de junho. Cada parcela "irreajustável" foi fixada em R$ 70 mil.

Empresário é responsável por viagens de times

DO RIO
O empresário Wagner Abrahão teve vários negócios com a CBF e já teve o passaporte apreendido na França na Copa de 1998.
Empresas de Abrahão são responsáveis por transportar a seleção brasileira e times que participam de competições organizadas pela confederação.
Em novembro, a CBF entregou a ele a administração do moderno museu da entidade. O valor do negócio não foi informado.

Ele também vendeu os ingressos corporativos da Copa de 2014. Só com os bilhetes, a empresa administrada por Abrahão estimava arrecadar cerca de R$ 320 milhões.

O empresário foi um dos mais fiéis aliados de Ricardo Teixeira, ex-presidente da entidade. Ele viajou de jatinho com o cartola para Miami logo após a renúncia do dirigente em 2012.

Naquele ano, a Folha revelou que quatro empresas de Abrahão foram indicadas pela CBF como beneficiárias de contrato de patrocínio da seleção com a TAM para viagens.

Após a reportagem, o contrato foi cancelado pela companhia aérea. No ano seguinte, a Gol assinou com a CBF. Abrahão participou da negociação.

Em 2001, a CPI do Futebol investigou uma das agências dele, a SBTR. De acordo com a CPI, a empresa de Abrahão praticava tabela com tarifas cheias, sem desconto, em viagens da seleção pagas pela CBF.

Segundo os senadores, não havia notas fiscais referentes às passagens compradas com a agência, que totalizaram R$ 31 milhões.

O relatório final da CPI foi enviado ao Ministério Público e gerou dez inquéritos federais. A Polícia Federal recomendou o arquivamento de todos eles.

Antes, na Copa de 1998, Abrahão teve o passaporte apreendido na França, acusado por agências de turismo de lesar centenas de brasileiros.

Naquele ano cerca de mil torcedores ficaram de fora da final, apesar de terem pago pelos ingressos.

Na França, Abrahão teve de pagar multa para deixar o país. Anos depois, o caso foi arquivado na Justiça francesa. No Brasil, foi processado por agências de turismo, mas fez acordos para encerrar os casos.

Não há conflito ético na negociação, afirmam dirigente e empresário

DO RIO
O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e o empresário Wagner Abrahão disseram que "não há conflito ético" na negociação entre eles de duas coberturas dúplex no Les Residences Saint Tropez, um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio.

Por e-mail, Del Nero afirmou que o apartamento foi comprado da JAT Administração de Bens Ltda., empresa dos filhos de Abrahão, e não diretamente do empresário, que é parceiro da CBF em vários negócios envolvendo viagens da seleção e times que disputam seus torneios.

A JAT Administração de Bens fica no mesmo endereço do Grupo Águia, que pertence a Wagner Abrahão.

Ao ser questionado se a cessão da cobertura vizinha a Abrahão por R$ 410 mil teria sido um bom negócio, o presidente da CBF disse que a quantia corresponde "a 1/4 do preço do imóvel cedido à sociedade vendedora [JAT], que assumiu o encargo de quitar o saldo devedor, conforme escritura pública de promessa de cessão de direitos aquisitivos". O saldo devedor não foi informado.

Del Nero, que assume nesta quinta a presidência da CBF para mandato de quatro anos, negou que tenha outros negócios privados com o empresário e seus familiares.
Ele também disse não conhecer a proprietária da primeira cobertura adquirida por ele no condomínio, Lilian Cristina Martins Maia.

A empresária é investigada pelo Ministério Público sob suspeita de integrar uma máfia de exploração de jogos caça-níqueis no Rio.

RESIDÊNCIA

Abrahão, por sua vez, afirmou que o imóvel vendido a Del Nero era a sua residência. Ele disse que vendeu a cobertura para o presidente da CBF porque o dúplex "estava à venda e gerou interesse [do cartola] para a aquisição".
O empresário afirmou que recebeu a cobertura vizinha de Del Nero por R$ 410 mil e aceitou ficar com o "saldo devedor" do apartamento.

O imóvel havia sido adquirido por Del Nero por R$ 1,6 milhão. Assim como o dirigente da CBF, Abrahão não revelou qual era o saldo devedor do apartamento.
Abrahão e Del Nero estarão juntos nesta quinta (16) na sede da CBF quando o cartola assume a presidência. O empresário é um dos convidados para a posse.


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